Controle de Estoque

Métodos de controle de estoque: PEPS, UEPS e MPM

Se você precisa melhorar o controle de estoque da sua empresa, esse é o conteúdo que precisa ler. Saiba mais sobre: MPM, PEPS e UEPS.

05 DE junho DE 2023 - Atualizado 2 semanas atrás 16 min de leitura

PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) e UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) são dois métodos de avaliação de estoque usados pra calcular o custo das mercadorias vendidas e o valor do estoque final da loja. Se você é uma pessoa empreendedora ou trabalha com gestão financeira, um dos seus principais objetivos deve ser reduzir as perdas e desperdícios. Para isso, é essencial realizar uma gestão de estoque de qualidade, uma vez que ela permitirá que você controle as mercadorias de maneira adequada e aumente a eficiência do uso das matérias-primas. Para atingir esse objetivo, é essencial que você conte com metodologias eficazes. Um estoque mal administrado gera custos desnecessários, diminuindo a margem de lucro e afetando todos os cálculos de operação da empresa. O estoque é renovado constantemente e, por conta de uma economia inflacionária, é preciso estar atento na hora de lançar os custos das mercadorias. Do ponto de vista do cliente, uma empresa que faz má gestão do seu estoque passa uma imagem de desorganização e falta de credibilidade. Para que nada disso aconteça no seu dia a dia, detalhamos os principais métodos de controle de estoque e a diferença entre PEPS e UEPS, com exemplos práticos, tabela comparativa e o que a Receita Federal aceita (e o que não aceita) no Brasil.

PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai)

Esse é um dos métodos de controle de estoque mais conhecidos — em inglês, ele é chamado de FIFO (First In, First Out). A ideia é simples: no momento de retirar um produto do estoque, prioriza-se o mais antigo. Isso significa que os primeiros itens comprados pela sua empresa são os primeiros itens a serem vendidos para os clientes. O método de controle de estoque PEPS é indispensável quando a empresa trabalha com produtos perecíveis, pois tende a fazer com que o item mais antigo seja o primeiro a ser vendido. Outra vantagem do PEPS é facilitar a gestão financeira da sua empresa. Ao trabalhar com o preço de custo por unidade do estoque, em vez da média do preço de custo de todas as unidades, é possível diferenciar o preço de venda do mesmo produto. Isso favorece o repasse de aumentos e descontos obtidos nas compras mais antigas em relação às compras mais recentes. Especialmente para quem trabalha com importação, este pode ser um diferencial competitivo, pois fazer uma compra com dólar mais baixo significa uma margem maior em um mesmo preço de venda. Além disso, o PEPS é o método contábil utilizado pela Receita Federal do Brasil para o cálculo de tributos. É com base nele que o seu estoque é avaliado e, em cima dessa estimativa, são calculados os impostos e tributos.

Como funciona o PEPS?

Para ficar claro, veja um exemplo de como o método PEPS funciona na prática: Imagine uma loja que comercializa bolsas. No seu depósito há 100 modelos, cujo preço pago foi de R$ 10,00 em cada. O custo do estoque é de mil reais. Antes de o fornecedor receber o próximo pedido, foram vendidas 80 bolsas. Você solicita então mais 100 modelos. Mas digamos que o valor do produto subiu, e agora cada uma custa R$ 11,00. Segundo a metodologia adotada através do PEPS, das próximas 100 peças que você vender, 20 delas terão o custo de R$ 10,00, e 80 de R$ 11,00. A partir disso, será facilmente calculado o valor que você receberá sobre cada remessa. Se a diferença do segundo lote (R$ 1,00 real) não for cobrada do consumidor, isto é, se for vendido tudo pelo mesmo preço do primeiro lote, o lucro será 1 real menor sobre cada produto da remessa. O método PEPS, em suma, ajudará você a saber o lucro exato sobre cada operação. Além disso, facilitará o processo de tributação pelos órgãos reguladores.

UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair)

A ideia também é simples: o último item comprado é o primeiro a ser vendido. Em inglês, esse método é conhecido como LIFO (Last In, First Out) e segue uma lógica oposta à do PEPS/FIFO. Se a sua empresa trabalha com itens perecíveis, o UEPS não é viável. Nesse cenário, o uso desse método poderia fazer com que a primeira mercadoria comprada, no momento da venda, já estivesse vencida. No entanto, é um dos métodos de controle de estoque mais eficientes para o planejamento da produção, ao permitir ajustes rápidos nos preços e quantidades a serem fabricadas de acordo com o consumo real. Uma vez que os últimos itens adicionados são os primeiros a serem vendidos, tem-se uma média do consumo daquele período, permitindo prever o consumo futuro na medida em que novos produtos vão entrando no estoque. O método UEPS no estoque, porém, tende a reduzir a margem de lucro operacional das empresas, uma vez que, no momento da medição, os fatores externos momentâneos (inflação, variação cambial etc.) são repassados ao preço de custo da mercadoria. Por esse motivo, ele não é aceito pela Receita Federal e deve-se usar o PEPS na precificação do estoque. Uma desvantagem em relação ao modelo PEPS é que, no UEPS, o lote mais recente sempre é utilizado. Isso significa que, se determinado lote ainda não foi totalmente finalizado, mas um novo foi adquirido, o primeiro é interrompido na metade e começa-se a usar o lote atual. Isso significa que é preciso monitorar diferentes lotes, que, muitas vezes, são usados apenas parcialmente. Para uma empresa que compra produtos com muita frequência, esse método pode não ser muito viável. PEPS, UEPS e custo médio são conceitos que já vimos aqui. Agora vamos conhecer um terceiro método de controle de estoque, o MPM.

MPM (Média Ponderada Móvel ou Preço Médio Ponderado)

O custo médio, também conhecido como média ponderada móvel, é uma forma de mensurar o valor do estoque da empresa sem que seja levada em conta a ordem cronológica de recebimento das mercadorias. Em resumo, o valor dos custos de cada mercadoria é calculado a partir de uma média ao somar os diferentes preços de aquisição do produto estocado dividido pela quantidade adquirida. O resultado é o custo médio da mercadoria estocada.

Como calcular o MPM

Para ficar mais claro, veja abaixo um exemplo de cálculo do custo médio ponderado: Compra de 100 unidades do produto A por R$ 20,00 = R$ 2.000,00 Compra de 50 unidades do produto A por R$ 25,00 = R$ 1.250,00 Venda de 30 unidades do produto A, por R$ 50,00 = R$ 1.500,00 Custo da mercadoria vendida ao Custo Médio Ponderado = [(2.000 + 1.250) / 150 unidades] x 30 unidades vendidas = R$ 21,67 x 30 unidades = R$ 650,00

Custo Médio: a terceira opção que muitos lojistas usam

Na prática do varejo brasileiro, o Custo Médio (MPM) acaba sendo o método mais adotado pelos sistemas de gestão automatizados — e tem motivo: ele é simples de calcular, é aceito pela Receita Federal pra apuração de imposto de renda e suaviza as variações bruscas de preço entre uma compra e outra. Quando o fornecedor reajusta o preço no meio do mês, o MPM dilui esse aumento na média, em vez de criar dois custos diferentes pro mesmo produto no estoque. Em contrapartida, o Custo Médio perde um pouco da precisão que o PEPS oferece. Como ele trabalha com média, fica mais difícil enxergar qual lote individualmente gerou mais ou menos margem. Pra lojas que importam, trabalham com câmbio variável ou precisam de margem afinada item a item, o PEPS tende a ser mais informativo. Já pra mercadinhos, padarias, lojas de roupa e materiais de construção que giram produtos com preço mais estável, o Custo Médio é o método que melhor combina simplicidade com aceitação fiscal.

PEPS, UEPS e Custo Médio na prática: tabela comparativa com exemplo numérico

Pra ficar fácil enxergar a diferença entre PEPS, UEPS e Custo Médio, vamos usar o mesmo cenário de compra e venda nos três métodos. Imagine que sua loja fez duas compras e uma venda do mesmo produto:
  • 1ª compra: 100 unidades a R$ 10,00 cada = R$ 1.000,00 (estoque total: R$ 1.000,00)
  • 2ª compra: 100 unidades a R$ 15,00 cada = R$ 1.500,00 (estoque total: R$ 2.500,00, com 200 unidades)
  • Venda: 120 unidades por R$ 25,00 cada = receita de R$ 3.000,00
Veja como cada método de avaliação de estoque calcula o custo da mercadoria vendida (CMV), o lucro bruto e o estoque final:
Indicador PEPS (FIFO) UEPS (LIFO) Custo Médio (MPM)
Lógica de saída Sai primeiro o mais antigo Sai primeiro o mais recente Usa a média dos preços
Cálculo do CMV (120 unid.) 100 × R$ 10 + 20 × R$ 15 100 × R$ 15 + 20 × R$ 10 120 × R$ 12,50 (média)
Custo total da venda R$ 1.300,00 R$ 1.700,00 R$ 1.500,00
Lucro bruto da operação R$ 1.700,00 R$ 1.300,00 R$ 1.500,00
Estoque final (80 unid.) R$ 1.200,00 (mais atualizado) R$ 800,00 (mais antigo) R$ 1.000,00 (média)
Aceito pela Receita? ✅ Sim ❌ Não ✅ Sim
Indicado para Perecíveis, importação, margem afinada Análise gerencial interna Varejo geral, ERP automatizado
Note como, em um cenário inflacionário (preços subindo de compra pra compra), o PEPS mostra o maior lucro e o UEPS o menor — exatamente por isso a Receita Federal não aceita o UEPS, já que ele “esconde” lucro tributável. O Custo Médio fica no meio do caminho e é, de longe, o método mais usado pelos sistemas de gestão automatizados no Brasil.

PEPS e UEPS na contabilidade brasileira: por que UEPS é proibido para fins fiscais

Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem está estudando o assunto: se o UEPS é tão usado em livros de contabilidade e em outros países, por que ele não vale no Brasil? A resposta tem a ver com tributação. A legislação brasileira (Decreto 9.580/2018, que regulamenta o Imposto de Renda) só aceita dois métodos de avaliação de estoque pra apuração de imposto: o PEPS e o Custo Médio Ponderado. Isso vale tanto para empresas no Lucro Real quanto no Lucro Presumido que precisam apresentar inventário ao Fisco. O motivo é simples: em períodos de inflação (que é a regra histórica brasileira), o método UEPS sempre mostra um lucro contábil menor que o PEPS, porque atribui à venda o custo mais recente — e mais caro — da mercadoria. Pra Receita Federal, isso é equivalente a reduzir artificialmente o lucro tributável e, portanto, o imposto a pagar. Em países onde a inflação é historicamente baixa (como os EUA), o LIFO/UEPS é permitido e até estimulado em alguns setores, mas no Brasil ele fica restrito à análise gerencial interna. Na prática, isso significa que o seu balanço fiscal precisa obrigatoriamente usar PEPS ou Custo Médio. Você pode até usar o UEPS internamente, em relatórios gerenciais, pra simular cenário de margem em ambiente inflacionário — mas a contabilidade oficial que vai pra Receita não pode adotar esse método.

Software de gestão no controle do estoque

O gerenciamento de estoques sempre será um desafio, pois como vimos, muitas variáveis interferem nessa atividade. Por outro lado, o controle de estoque com o apoio de um software torna a atividade muito mais flexível, segura, dinâmica e ágil. Utilizando um sistema de qualidade, você pode, rapidamente, saber o valor do seu estoque pelo preço de compra ou de venda, além de descobrir quão bem um produto está sendo vendido. Com um software para controle de estoque você poderá saber quais itens precisa comprar e quanto tem de cada produto. Também é possível integrar as informações do estoque com as das áreas de compras e vendas, o que dá maior confiabilidade ao processo. O que o software de gerenciamento faz especificamente é automatizar processos repetitivos. Com isso, você ganha tempo para se dedicar a tarefas mais estratégicas e tomar decisões mais inteligentes, aumentando a eficiência, a confiabilidade dos dados e os lucros.

Como o sistema de gestão calcula PEPS e Custo Médio automaticamente

Tudo que mostramos no exemplo numérico acima — três compras, duas vendas, dois preços diferentes — vira uma trabalheira gigante quando a loja tem centenas de produtos e dezenas de movimentações por dia. É aí que o ERP entra como protagonista: ele aplica o método PEPS ou o Custo Médio automaticamente, a cada entrada e saída, sem que você precise abrir uma planilha. Veja, na prática, o que o sistema de gestão faz por trás dos panos:
  • A cada nota de entrada, o ERP registra o lote, a data, a quantidade e o preço unitário de compra — alimentando a base que sustenta o cálculo PEPS ou MPM.
  • A cada venda no PDV, o sistema baixa o estoque pelo método configurado: se for PEPS, retira do lote mais antigo; se for Custo Médio, recalcula a média ponderada na hora.
  • Em produtos perecíveis, o ERP cruza o método contábil com o controle de lote e validade, alertando quando uma mercadoria está perto de vencer e priorizando a saída.
  • Nos relatórios gerenciais, você vê o CMV (Custo da Mercadoria Vendida), a margem bruta e o valor do estoque atualizado em tempo real — informação que costuma ser fechada só no balanço mensal quando feita na mão.
  • No fechamento fiscal, o sistema gera os arquivos do SPED Fiscal e o inventário no formato exigido pela Receita Federal, com o método de avaliação correto (PEPS ou Custo Médio), aceitos pelo Fisco brasileiro.
Pro lojista, isso significa que escolher entre PEPS e Custo Médio deixa de ser uma decisão operacional difícil e vira só uma configuração inicial do sistema — o resto roda automático, certinho, com o seu contador validando antes de declarar.

Importante

Fazer o gerenciamento do estoque é imprescindível para garantir o sucesso e a saúde financeira de toda companhia. Só isso já faz com que a sua adoção seja indicada, ajudando o seu negócio a se manter competitivo no mercado. Uma boa gestão do estoque depende da utilização de um método que traga qualidade. Para isso, além de contar com as informações deste artigo, é importante que você tenha um conhecimento profundo sobre as necessidades e a área de atuação da sua empresa. Assim, você consegue tomar uma decisão assertiva sobre o melhor método de gestão de estoque para o seu negócio! Espero que este post tenha te ajudado a entender melhor os tipos de métodos para gerenciamento de estoque mais utilizados, a diferença entre PEPS e UEPS, o funcionamento do MPM (Custo Médio Ponderado) e como cada método de avaliação de estoque se encaixa na realidade do varejo brasileiro. Já utilizou algum desses métodos? Conte pra gente a sua experiência nos comentários. Comente e compartilhe esse material. Até o próximo post!

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que significam as siglas PEPS e UEPS?

PEPS significa “Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair” (conhecido em inglês como FIFO – First In, First Out). Já UEPS significa “Último a Entrar, Primeiro a Sair” (em inglês, LIFO – Last In, First Out). Ambos são métodos de avaliação e controle de estoque utilizados na contabilidade e logística das empresas para definir o custo das mercadorias vendidas e o valor do estoque final no balanço da empresa.

2. Qual a principal diferença entre PEPS e UEPS na prática?

A grande diferença entre PEPS e UEPS está na ordem de saída e precificação. No PEPS, o produto que está há mais tempo no estoque é o primeiro a ser vendido (regra básica para produtos perecíveis) — o que mantém o estoque final avaliado pelos preços mais recentes. No UEPS, o produto adquirido mais recentemente é o primeiro a sair, o que faz com que o custo da venda reflita os preços mais atuais e inflacionados do mercado e deixa o estoque final avaliado pelos preços mais antigos. Em períodos de inflação, o PEPS mostra lucro maior; o UEPS mostra lucro menor.

3. O método UEPS é permitido no Brasil?

Para controle gerencial interno, sim. Porém, para fins fiscais e contábeis, a Receita Federal do Brasil não permite o uso do método UEPS. A legislação tributária brasileira (Decreto 9.580/2018) só aceita PEPS ou Custo Médio Ponderado (MPM) para apuração do imposto de renda, pois o UEPS tende a reduzir artificialmente o lucro tributável em períodos de inflação. O UEPS é estudado em contabilidade e usado em alguns países como os EUA, mas no Brasil não pode ser adotado para emissão de balanço fiscal.

4. Qual método de controle de estoque eu devo escolher para a minha loja?

Se você trabalha com produtos perecíveis (alimentos, cosméticos, remédios), o PEPS é obrigatório para evitar o vencimento e perda de mercadorias. Se você tem um comércio varejista comum (roupas, materiais de construção) e busca praticidade contábil aprovada pela Receita Federal, o Custo Médio (MPM) é o mais utilizado e automatizado pelos sistemas de gestão (ERP).

5. O que é o método do Custo Médio?

O Custo Médio (ou Média Ponderada Móvel, MPM) calcula um valor médio do estoque a cada nova entrada de mercadoria, dividindo o valor total em estoque pela quantidade total de unidades. É o método mais usado por sistemas de gestão automatizados no varejo brasileiro, pois é simples, é aceito pela Receita Federal e suaviza variações bruscas de preço entre uma compra e outra do mesmo produto.

6. Qual método usar em produtos perecíveis?

Para perecíveis (alimentos, cosméticos, medicamentos), o PEPS é tecnicamente o mais adequado, pois força a saída da mercadoria mais antiga primeiro — alinhando o controle contábil ao físico (giro por validade). Sistemas de gestão modernos integram o PEPS contábil ao controle de lote e validade no estoque, evitando perdas por vencimento e ajudando o lojista a vender o que está mais próximo do prazo antes que vire prejuízo.

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