Atualizado em 10 de setembro de 2026
DRE é a sigla de Demonstração do Resultado do Exercício, o relatório que mostra quanto a empresa faturou, quanto gastou e quanto sobrou de lucro em um período. Ela parte da receita bruta e desce até o lucro líquido, subtraindo deduções, impostos, custo das mercadorias e despesas.
A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) resume todas as operações financeiras da empresa em um único documento e mostra o que você mais quer saber: se teve lucro ou prejuízo.
Todo empreendedor sabe que existem diversos relatórios importantes para a contabilidade de qualquer empresa. É papel do empresário conhecer esses relatórios, gerenciar sua elaboração e analisar seus resultados para que o negócio possa crescer. A DRE é um guia essencial para todo empreendedor que se preocupa com a saúde financeira do seu negócio, pois funciona como um raio-X das finanças e oferece uma visão ampla e detalhada dos resultados.
Se você precisa eliminar todas as suas dúvidas sobre DRE de uma vez por todas, não deixe de ler este post. A seguir, explicaremos o que é, para que serve e como fazer uma DRE. Confira!
O que é DRE?
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) foi instituída pela lei nº 6.404 de 1976. Esse relatório reúne todas as operações de receitas e despesas realizadas na empresa durante um determinado período de tempo. Esse período pode ser anual para fins legais, trimestral em casos fiscais e mensal para fins administrativos da própria empresa.
Diferença entre DRE e Fluxo de Caixa
Por meio da DRE é possível conhecer a saúde financeira da empresa, descobrindo se o negócio gerou lucro ou prejuízo. Isso pode fazer você se perguntar: “mas, essa não é a função do fluxo de caixa?”.
O fluxo de caixa contém, sim, informações de despesas e receitas. Porém, existem duas diferenças entre ele e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE): o segundo não inclui aquisições de estoque e patrimônio, mas apresenta depreciações e amortizações, diferentemente do fluxo de caixa.
Os resultados apresentados na DRE são importantes para conseguir financiamentos nos bancos, atrair investidores e cumprir obrigações fiscais, além de ajudar o empresário na tomada de decisões.
Com os custos, despesas, receitas e impostos detalhados, o empreendedor tem uma visão completa da situação financeira da empresa e consegue tomar decisões mais efetivas.
DRE x fluxo de caixa x balanço patrimonial
Os três relatórios são complementares e respondem perguntas diferentes sobre a mesma loja. Veja a comparação:
| Critério | DRE | Fluxo de caixa | Balanço patrimonial |
|---|---|---|---|
| O que mostra | Receitas, custos, despesas e o lucro ou prejuízo do período | Entradas e saídas de dinheiro no período | O que a empresa tem (ativo) e o que deve (passivo) em uma data |
| Regime | Competência (a venda entra no dia em que aconteceu) | Caixa (o valor entra no dia em que o dinheiro cai) | Posição em uma data de fechamento |
| Período | Mês, trimestre ou ano | Dia, semana ou mês | Foto de uma data específica |
| Pergunta que responde | A loja deu lucro? | Tem dinheiro para pagar as contas desta semana? | Quanto a loja tem e quanto deve? |
| Quando usar | Para avaliar rentabilidade, preço e margem | Para programar pagamentos e recebimentos | Para análise de crédito, sociedade e venda do negócio |
Se a sua loja ainda não controla as entradas e saídas de forma organizada, comece por um fluxo de caixa simples e use a DRE em cima dele.
Qual é a importância da DRE?
A DRE apresenta os principais indicadores para verificar a situação financeira atual do negócio, bem como possibilita uma visão mais completa em um determinado período. Ou seja, pode ser visto como um aliado importante para o empresário e gestores e, ao saber usar esse tipo de ferramenta, fica muito mais fácil chegar a uma gestão mais efetiva. Entre as principais informações apresentadas no relatório estão:
- confrontamento de dados relativos às entradas e saídas da companhia, expondo seu resultado líquido e desempenho operacional;
- margem de contribuição;
- lucro líquido sobre o faturamento da empresa;
- ponto de equilíbrio entre ganhos e despesas etc.
Ao ter essas informações em mãos, é possível decidir a respeito de várias ações a serem executadas, por exemplo:
- decisão sobre a realização de um empréstimo ou financiamento;
- elaboração de um planejamento tributário e estratégico;
- aumento de aquisições;
- outros tipos de mudanças que devem ser realizadas, bem como aquelas que precisam ser mantidas.
Como fazer uma DRE?
Apesar de não existir um modelo de DRE pronto para ser preenchido, a legislação determina quais tópicos devem aparecer na Demonstração e em qual ordem, independentemente do tamanho da empresa. Confira a seguir quais são essas informações:

| Linha da DRE | O que entra |
|---|---|
| Receita bruta | Tudo o que a loja vendeu no período, sem nenhum desconto |
| (–) Deduções e impostos | Impostos sobre venda, devoluções e descontos incondicionais |
| (=) Receita líquida | O que realmente ficou da venda |
| (–) CMV | Custo da mercadoria vendida |
| (=) Lucro bruto | Quanto sobra para pagar a operação |
| (–) Despesas operacionais | Aluguel, folha, energia, marketing, taxas de cartão |
| (=) EBITDA | Resultado da operação, antes de juros e impostos sobre lucro |
| (+/–) Resultado financeiro | Juros pagos e juros recebidos |
| (–) IR e CSLL | Impostos sobre o lucro |
| (=) Lucro líquido | O que efetivamente sobrou no período |
Primeiro, você deve apresentar a receita bruta de vendas. Desse valor, excluindo os abatimentos, descontos, devoluções e impostos, você terá a receita líquida. Para ter o lucro bruto basta deduzir o custo das mercadorias e serviços desse valor.
Depois, excluindo as despesas com vendas, administrativas e financeiras do lucro bruto, você terá o valor do resultado operacional líquido, que pode ser lucro ou prejuízo. Então, basta deduzir os valores com impostos para chegar ao resultado líquido.
Para que essa apuração saia certa todo mês, o ponto de partida é ter um plano de contas para loja bem configurado, com cada despesa caindo sempre no mesmo grupo.
Exemplo de DRE de uma loja: cálculo linha a linha
Para sair da teoria, veja a DRE de uma loja de varejo no Lucro Presumido que faturou R$ 100 mil em um mês:
| Linha | Valor | Como chegou nele |
|---|---|---|
| Receita bruta de vendas | R$ 100.000,00 | Total vendido no mês |
| (–) Deduções e impostos sobre venda | R$ 14.000,00 | R$ 12.000 de ICMS, PIS e COFINS + R$ 2.000 de devoluções e descontos |
| (=) Receita líquida | R$ 86.000,00 | 100.000 – 14.000 |
| (–) CMV | R$ 45.000,00 | Custo de compra das mercadorias que saíram do estoque |
| (=) Lucro bruto | R$ 41.000,00 | 86.000 – 45.000 (margem bruta de 47,7% sobre a receita líquida) |
| (–) Despesas operacionais | R$ 28.000,00 | Aluguel 6.000 + folha e encargos 14.000 + energia, água e internet 1.800 + taxas de cartão 2.200 + marketing 1.500 + outras 2.500 |
| (=) EBITDA | R$ 13.000,00 | 41.000 – 28.000 |
| (+/–) Resultado financeiro | –R$ 1.500,00 | Juros de antecipação de recebíveis e do empréstimo, menos os rendimentos da aplicação |
| (–) IR e CSLL | R$ 2.280,00 | IRPJ de R$ 1.200 + CSLL de R$ 1.080, apurados sobre a base presumida do comércio |
| (=) Lucro líquido | R$ 9.220,00 | 13.000 – 1.500 – 2.280 (margem líquida de 9,2% sobre a receita bruta) |
Repare que a loja vendeu R$ 100 mil e ficou com R$ 9.220. Os valores mudam conforme o regime tributário: em uma loja do Simples Nacional, o IR e a CSLL já vêm dentro do DAS, ou seja, entram na linha de deduções e a linha de IR e CSLL fica zerada.
DRE gerencial x DRE contábil: qual você precisa?
Existem duas versões da mesma demonstração, com finalidades diferentes. Saber qual delas você precisa evita retrabalho e cobrança desnecessária no contador.
| Critério | DRE gerencial | DRE contábil |
|---|---|---|
| Quem faz | O próprio lojista ou o financeiro da loja | O contador |
| Para que serve | Decisão de preço, mix de produtos e corte de custo | Obrigações fiscais e societárias |
| Frequência | Mensal | Anual, às vezes trimestral |
| Formato | Livre: por loja, por categoria de produto ou por canal de venda | Padrão da lei nº 6.404/76 e das normas contábeis |
| Origem dos dados | Relatórios do sistema de gestão | Escrituração contábil |
Na prática, quem toca uma loja precisa das duas. A contábil você recebe pronta do contador uma vez por ano. A gerencial é a que você olha todo mês para tomar decisão.
Como ler sua DRE: os 5 sinais de alerta
Fazer a DRE é metade do trabalho. A outra metade é comparar os números com os meses anteriores e identificar o que está fora da curva. Estes são os cinco sinais que pedem ação imediata:
1. CMV crescendo acima da receita
Se a receita subiu 5% e o CMV subiu 12%, você está vendendo mais e ganhando menos por venda. Em geral isso vem de aumento de preço do fornecedor que não foi repassado, de perda e quebra de estoque ou de desconto liberado no balcão sem controle.
2. Margem bruta caindo mês a mês
A margem bruta é o lucro bruto dividido pela receita líquida. Quando ela cai três meses seguidos, o problema está no preço ou no mix de produtos. A análise vertical e horizontal da DRE mostra exatamente em qual linha a queda começou.
3. Despesa fixa acima de 30% da receita
Aluguel, folha e as demais despesas que não variam com a venda não deveriam passar de 30% da receita na maioria das lojas. Acima disso, qualquer mês fraco derruba o resultado, porque a conta continua chegando igual.
4. Lucro líquido abaixo de 5%
Lucro líquido abaixo de 5% da receita deixa a loja sem margem de segurança para imprevisto, investimento ou queda de movimento. Vale entender a diferença entre margem de contribuição e lucro líquido antes de decidir onde cortar.
5. Resultado financeiro negativo
Quando os juros pagos superam os recebidos mês após mês, a loja está financiando a própria operação com capital de giro caro, normalmente antecipação de recebíveis ou cheque especial. Nesse caso, o ajuste começa no prazo de pagamento aos fornecedores e no ciclo de recebimento das vendas no cartão.
Conte com a ajuda da tecnologia
Como você pode perceber, é preciso ter o registro de todas as operações de vendas da empresa para evitar erros na hora de fazer a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
Para isso, contar com a tecnologia é uma excelente ideia. Ter um software para elaborar uma DRE permite que você reduza ou até mesmo elimine as chances de falhas, além de elaborar o relatório em muito menos tempo.
Ao aprender a fazer a leitura da sua DRE, é possível visualizar a saúde do seu negócio com maior facilidade e precisão. Assim, na hora de tomar decisões, você terá dados confiáveis para saber se está no momento de cortar gastos com algo específico ou se é possível usar o lucro para investir ainda mais no seu negócio – como vender uma nova linha de produtos ou serviços, comprar novos equipamentos e materiais ou até mesmo abrir novas lojas com o objetivo de expandir sua marca.
Agora que você já sabe como fazer um DRE de forma eficiente, não deixe de colocar as dicas apresentadas em prática!
Perguntas frequentes sobre DRE
O que é DRE?
DRE é a sigla de Demonstração do Resultado do Exercício: o relatório contábil que mostra, em um período (mês, trimestre ou ano), quanto a empresa faturou, quanto gastou e quanto sobrou de lucro. Ela organiza tudo em uma sequência que parte da receita bruta e desce até o lucro líquido, subtraindo impostos, custo das mercadorias e despesas. Para o lojista, é o documento que responde a pergunta mais importante do negócio: “eu tive lucro no mês passado ou só tive movimento?”.
Como fazer uma DRE passo a passo?
São seis passos: (1) some toda a receita bruta de vendas do período; (2) subtraia as deduções (impostos sobre venda, devoluções e descontos incondicionais), chegando à receita líquida; (3) subtraia o CMV (custo da mercadoria vendida) e obtenha o lucro bruto; (4) subtraia as despesas operacionais (aluguel, folha, energia, marketing, taxas de cartão), chegando ao EBITDA; (5) some ou subtraia o resultado financeiro (juros pagos e recebidos) e a depreciação; (6) subtraia IR e CSLL para chegar ao lucro líquido. Com o plano de contas configurado no sistema de gestão, essa apuração deixa de ser manual.
Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?
A DRE trabalha pelo regime de competência: registra a venda no dia em que ela aconteceu, mesmo que o cliente vá pagar em 3x. O fluxo de caixa trabalha pelo regime de caixa: registra o dinheiro no dia em que ele efetivamente entra ou sai. Por isso uma loja pode ter DRE com lucro e caixa no vermelho ao mesmo tempo: vendeu bem, mas o dinheiro do parcelado ainda não caiu. As duas ferramentas são complementares: a DRE diz se o negócio é rentável, o fluxo de caixa diz se ele sobrevive até o fim do mês.
MEI e pequenas empresas do Simples são obrigados a fazer DRE?
Legalmente, MEI é dispensado de escrituração contábil completa, e empresas do Simples Nacional podem substituir a contabilidade regular pelo Livro Caixa. Ou seja: a DRE não é obrigatória para a maioria dos pequenos varejistas. Mas ela continua sendo o principal instrumento gerencial: é a DRE que mostra se o preço está errado, se o CMV subiu ou se as despesas fixas estão comendo a margem. Bancos e investidores também costumam pedi-la em análise de crédito.
Qual a diferença entre DRE gerencial e DRE contábil?
A DRE contábil segue as normas brasileiras de contabilidade e é elaborada pelo contador para fins fiscais e societários, no fechamento do exercício. A DRE gerencial é montada pelo próprio empresário, no formato que fizer sentido para o negócio (por loja, por categoria de produto, por canal de venda), e normalmente é mensal. Para tomar decisão de preço, mix e corte de custo, o que interessa é a gerencial, extraída direto dos relatórios do sistema de gestão.
Com que frequência devo fazer a DRE da minha loja?
Mensalmente. A DRE anual serve para o fisco, mas não permite corrigir rota. Fechando todo mês, você identifica em 30 dias que o CMV subiu 3 pontos ou que a folha passou de 15% para 19% da receita, e ainda dá tempo de renegociar com fornecedor ou revisar a escala. Lojas com sazonalidade forte (moda, brinquedos, presentes) devem comparar sempre o mesmo mês do ano anterior, e não o mês imediatamente anterior.


