Métodos de controle de estoque: PEPS e UEPS

Estoque - PEPS e UEPS

Já vimos que o controle de estoque é crucial na vida de uma empresa. Um estoque mal administrado gera custos desnecessários, diminuindo a margem de lucro e afetando todos os cálculos de operação da companhia, como os pontos de equilíbrio.

Do ponto de vista do cliente, uma empresa que faz má gestão do seu estoque passa uma imagem de desorganização e falta de credibilidade. Para que nada disso aconteça no seu dia a dia, hoje vamos detalhar 2 dos principais métodos de controle de estoque — o PEPS e UEPS — e ainda apresentar as demais opções. Confira:

 

PEPS

É um dos métodos de controle de estoque mais conhecidos, cuja sigla significa Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair.

A ideia é simples: no momento em que um produto é retirado do estoque, prioriza-se o produto mais antigo. Isso significa que os primeiros itens comprados pela sua empresa são os primeiros itens a serem vendidos para os clientes.

O PEPS é indispensável quando a empresa trabalha com produtos perecíveis, pois tende a fazer com que o item mais antigo seja o primeiro a ser vendido.

Outra vantagem do PEPS é facilitar a gestão financeira da sua empresa. Ao trabalhar com o preço de custo por unidade do estoque, em vez da média do preço de custo de todas as unidades, é possível diferenciar o preço de venda do mesmo produto.

Isso favorece o repasse de aumentos e descontos obtidos nas compras mais antigas em relação às compras mais recentes. Especialmente para quem trabalha com importação, este pode ser um diferencial competitivo, pois fazer uma compra com dólar mais baixo significa uma margem maior em um mesmo preço de venda.

Além disso, o PEPS é o método contábil utilizado pela Receita Federal do Brasil para o cálculo de tributos. É com base nele que o seu estoque é avaliado e, em cima dessa estimativa, são calculados os impostos e tributos.

 

UEPS

A sigla, de forma intuitiva, pode ser lida como Último a Entrar, Primeiro a Sair. A ideia também é simples: o último item comprado é o primeiro a ser vendido. Se a sua empresa trabalha com itens perecíveis, o UEPS não é viável. Nesse cenário, o uso desse método poderia fazer com que a primeira mercadoria comprada, no momento da venda, já estivesse vencida.

O UEPS, no entanto, é um dos métodos de controle de estoque mais eficientes para o planejamento da produção, ao permitir ajustes rápidos nos preços e quantidades a serem fabricadas de acordo com o consumo real.

Uma vez que os últimos itens adicionados são os primeiros a serem vendidos, tem-se uma média do consumo daquele período, permitindo prever o consumo futuro na medida em que novos produtos vão entrando no estoque.

O UEPS, porém, tende a reduzir a margem de lucro operacional das empresas, uma vez que, no momento da medição, os fatores externos momentâneos (inflação, variação cambial etc.) são repassados ao preço de custo da mercadoria. Por esse motivo, ele não é aceito pela Receita Federal e deve-se usar o PEPS na precificação do estoque.

 

Métodos para controle de estoque

 

Como usar cada método

Independentemente do método escolhido, é fundamental garantir que haja um controle estrito sobre os produtos que entram e que saem do estoque do negócio. No caso da metodologia UEPS, a questão mais importante a ser controlada é a data de entrada.

Produtos que chegam primeiro devem ser dispostos de forma que se tornem mais facilmente acessíveis. A partir do faturamento de pedidos, a seleção e o despacho de itens devem acontecer de acordo com as datas.

Também é necessário revisar os preços dos produtos, de modo que o valor seja o mais ajustado possível para as condições.

Como normalmente é usado para o controle de produtos perecíveis, também vale a pena considerar o registro da data de validade, de modo a evitar possíveis desperdícios.

Já no caso do UEPS, o registro da data vai orientar no sentido inverso, já que os itens mais recentes vão ter que sair antes dos demais. Nesse cenário, uma das possibilidades inclui manter o estoque mínimo, já que assim não há o risco de produtos encalharem.

Quanto aos preços, eles têm que ser ajustados conforme os valores do momento presente. Quem importa com o dólar alto, por exemplo, vai precisar repassar o valor para o novo preço, o que pode levar à perda de competitividade.

Em ambos os casos, contar com um sistema de gestão integrada favorece o acompanhamento do estoque. Com os registros de entrada acontecendo de maneira automática, a avaliação de valor também fica mais simples segundo a metodologia selecionada.

Outras possibilidades para controlar seu estoque

Além desses dois, que são os mais conhecidos, também é possível realizar o controle por meio do custo médio. Basicamente, ele determina que a gestão realize uma média ponderada dos custos do estoque.

Para que isso seja possível, o cálculo do custo tem que ser refeito a cada aquisição. Lotes maiores têm pesos maiores, então isso garante um controle maior sobre o que está armazenado.

Não é muito indicado para empresas que possuem uma grande movimentação de estoque em pouco tempo, mas também pode ser utilizado para fazer declarações de impostos.

Além desse, há também o preço específico, que leva em consideração o valor de cada unidade. De uma forma geral, o valor final do estoque é baseado na soma de todos os custos individuais das unidades.

É pouco usado por grandes varejistas, mas pode fazer sentido para empresas cuja unidade de armazenamento seja composta por itens mais facilmente identificáveis, como grandes maquinários.

A escolha, portanto, depende da capacidade técnica do negócio e também do tipo de produto vendido. Além disso, todo o estoque tem que ser avaliado pela mesma metodologia.

Viu como os métodos de controle de estoque são necessários e importantes para o sucesso da sua empresa? Não somente para atender à legislação vigente, é preciso controlar rigorosamente o que entra e o que sai da companhia para evitar prejuízos, distorções nos cálculos operacionais e problemas com o Fisco que podem prejudicar a imagem da sua empresa.

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