Quais são os tipos de estoque? Os principais são: estoque de ciclo, estoque de segurança, estoque de canal (em trânsito), estoque sazonal, além de estoque mínimo, máximo, consignado e dropshipping. Cada um serve para um cenário diferente do varejo — veja abaixo qual combina com o seu negócio.
Organizar todas as tarefas de rotina da sua loja pode parecer complicado à primeira vista, mas optando por métodos que fazem sentido no seu dia a dia, tudo fica mais fácil. Uma das tarefas mais importantes para quem está montando a primeira loja ou está buscando melhorar a gestão, é ficar de olho no estoque. Manter o estoque atualizado, facilita na hora de vender, porque você não fica sem produtos e também na hora de adquirir novos itens, para não fazer compras desnecessárias.
Além desses pontos, o estoque demanda um planejamento de espaço físico na loja, estratégias de vendas por demanda ou sazonalidade, entre outras possibilidades que variam de acordo com o tamanho e o segmento do seu negócio. Ou seja, é super importante conhecer as principais formas de controlar o estoque em uma loja.
Abaixo, separamos os 4 principais tipos de estoque para lojas de varejo. Continue a leitura e saiba mais!
1. Estoque de ciclo
O estoque de ciclo geralmente é utilizado por empresas que lidam com diversos produtos distintos, mas sua produção não consegue fabricar todos ao mesmo tempo. Assim, o gestor programa sua produção e seu estoque, a fim de criar um ciclo produtivo que não gere “buracos” no atendimento à demanda.
Para facilitar o entendimento, segue um exemplo: a empresa X comercializa os produtos A, B, C e D. Por hora, ela vende 25 unidades de cada produto, porém, não pode produzi-los ao mesmo tempo. Logo, a empresa fabrica 100 unidades do produto A em 1 hora, pois na hora seguinte, quando estiver fabricando o item B, ainda restarão 75 unidades do produto A, e assim sucessivamente, com um estoque capaz de suprir a demanda por todas as mercadorias vendidas pela empresa.
Se você vende produtos que você mesmo fabrica, como é o caso de panificadoras, esse é um bom método para adotar.
2. Estoque de Segurança (estoque regulador)
O estoque regulador, também conhecido como estoque de segurança, é responsável por minimizar as incertezas e os riscos relacionados à alta na demanda de vendas. Ele funciona muito bem para suprir demandas sazonais, que podem aumentar repentinamente as vendas de um determinado produto. Ou seja, você sempre deixa um número X de itens por segurança, caso aconteça esse aumento na procura, você pode suprir sem problemas.
Esse método é muito utilizado em lojas que possuem filiais. Por exemplo, caso você esteja expandindo o seu negócio, sempre terá uma das lojas com um espaço maior para armazenamento de produtos. Essa loja, que pode ser a matriz ou alguma das demais unidades, pode comportar um estoque maior, que irá suprir as demandas das filiais quando tiver aumento em vendas, sem ser prejudicada pela falta de itens.
Caso você esteja apenas iniciando o seu negócio próprio, não se preocupe, aos poucos você irá notar que alguns itens possuem mais ou menos demanda e conseguirá ajustar a sua loja para atender todos os clientes ao longo do ano. Para isso, é importante manter um registro das entradas e saídas de estoque, uma planilha ou um sistema próprio para gestão de estoque podem te ajudar nesta tarefa.
Estoque mínimo, máximo e ponto de pedido: o que são e como calcular (com fórmula)
Na prática varejista os termos se confundem, mas o estoque mínimo é o nível que dispara uma nova compra (ponto de pedido), enquanto o estoque de segurança é a reserva extra que fica “intocada” para cobrir atrasos do fornecedor ou picos inesperados de venda. Ou seja: o mínimo é operacional (quando comprar), o de segurança é proteção (quanto guardar a mais). Configurar os dois no sistema evita tanto a ruptura quanto o capital parado em excesso.
A fórmula simplificada do estoque de segurança é: ES = (venda média diária) x (tempo de reposição do fornecedor em dias) x (fator de segurança).
Exemplo: se você vende 10 unidades/dia, o fornecedor demora 7 dias para entregar e você quer 20% de folga, o estoque de segurança é 10 x 7 x 0,2 = 14 unidades, e o ponto de pedido fica em 10 x 7 + 14 = 84 unidades. Produtos com demanda instável ou fornecedor irregular pedem fator maior. Um sistema de gestão de estoque calcula isso automaticamente com base no histórico de vendas.
3. Estoque de canal
O estoque de canal diz respeito a todos os produtos que estão em trânsito. Ou seja, quando a mercadoria está presente nas transportadoras, nos modais e nos centros de distribuição, por exemplo.
Se você já fez um pedido ao fornecedor, acompanhar a entrega dele te ajuda a passar a data de entrega precisa para clientes e também a contabilizar o valor total das mercadorias, inclusive das que ainda não chegaram. Ter essas informações claras e bem registradas é ótimo para evitar compras desnecessárias de itens que já estão a caminho e programar promoções para quando os itens chegarem.
4. Estoque sazonal (estoque de antecipação)
O estoque de antecipação ou estoque de sazonal é aquele que a empresa passa a utilizar quando antecipa sua produção para atender alguma alteração na demanda futura, algo já esperado e planejado.
Geralmente está ligado a duas situações: a primeira é a sazonalidade, em que uma empresa que produz roupas passa a produzir mais casacos antes do inverno, por exemplo, ou quando está chegando uma data comemorativa. A segunda situação, é quando há instabilidade no fornecimento, o que ocorre principalmente no ramo alimentício. Ou seja, quando você percebe que algum item poderá faltar no futuro e antecipa uma compra maior para suprir a demanda dos próximos dias.
O estoque de antecipação pode ser criado revendo como foi o comportamento de vendas nos períodos anteriores, por este motivo, ressaltamos a importância de manter o registro de vendas.
Estoque consignado, obsoleto e em trânsito: outros tipos que você precisa conhecer
Além dos quatro tipos acima, o varejo também trabalha com outras categorias importantes de mencionar: o estoque consignado, em que o fornecedor deixa a mercadoria na loja e só recebe pelo que for efetivamente vendido; o estoque obsoleto, formado por itens parados, sem giro ou fora de linha, que precisam de ação (promoção, liquidação) para não virar prejuízo puro; e o estoque em trânsito, que é outro nome para o estoque de canal comentado acima — a mercadoria que já saiu do fornecedor mas ainda não chegou fisicamente à loja.
Há ainda o modelo de dropshipping, em que a loja vende sem estocar: o pedido do cliente é repassado direto ao fornecedor ou fabricante, que envia a mercadoria sem que o lojista chegue a tocar no produto.
PEPS, UEPS e custo médio: métodos de valoração de estoque
Diferente dos tipos de estoque vistos até aqui (que respondem “para que serve” cada lote), PEPS, UEPS e custo médio são métodos de valoração: respondem “quanto vale” o estoque e o que sai primeiro dele.
PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai, ou FIFO) vende primeiro os itens mais antigos — obrigatório na prática para perecíveis e o mais aceito fiscalmente no Brasil. UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai, ou LIFO) vende primeiro os mais recentes e não é aceito pela legislação fiscal brasileira para apuração de impostos. Há ainda o custo médio ponderado, o método mais usado por pequenas empresas no Simples Nacional. A Receita Federal aceita PEPS e custo médio na avaliação de estoques.
Tipos de estoque na contabilidade x na logística: qual a diferença?
Vale separar as duas classificações para não confundir os termos: na logística/operação, os tipos de estoque (ciclo, segurança, canal, sazonal, mínimo, máximo, consignado, dropshipping) descrevem a função de cada lote — para que ele existe e quando é usado. Já na contabilidade/fiscal, o que importa é o método de valoração (PEPS, UEPS ou custo médio), que define o valor contábil do estoque e o custo da mercadoria vendida (CMV) para apuração de resultado e impostos. Uma loja pequena normalmente usa os dois conceitos ao mesmo tempo: classifica o estoque por função no dia a dia (logística) e usa PEPS ou custo médio para fechar o caixa e a contabilidade (fiscal).
| Tipo de estoque | Para que serve | Exemplo no varejo | Indicado para |
|---|---|---|---|
| Estoque de ciclo | Produção/reposição em ciclos programados | Padaria que fabrica um produto por vez | Quem fabrica o que vende |
| Estoque de segurança | Reserva contra imprevistos e picos de demanda | Loja com filiais e estoque extra na matriz | Itens de maior giro (curva ABC) |
| Estoque de canal (em trânsito) | Mercadoria a caminho, ainda não recebida | Pedido em transportadora ou centro de distribuição | Controle de compras e previsão de chegada |
| Estoque sazonal (antecipação) | Preparado para picos de demanda esperados | Casacos antes do inverno, produtos de data comemorativa | Datas como Natal, Dia das Mães, volta às aulas |
| Estoque mínimo | Nível que dispara nova compra (ponto de pedido) | Alerta automático no sistema de gestão | Todo tipo de varejo |
| Estoque consignado | Fornecedor só recebe pelo que for vendido | Loja de roupas ou livraria com consignação | Quem quer reduzir capital parado |
| Estoque obsoleto | Itens parados, sem giro ou fora de linha | Produtos de coleção antiga | Ação de liquidação/promoção |
| Dropshipping | Venda sem estocar fisicamente | E-commerce que repassa pedido ao fornecedor | Quem vende online sem capital para estoque |
Qual o melhor tipo de estoque para o meu negócio?
A verdade é que não existe uma resposta pronta. O melhor tipo de estoque para cada empresa vai depender de diferentes características do negócio: do tipo de produto que é vendido ao comportamento dos consumidores. A dica para encontrar qual a solução entre os tipos de estoque que melhor vai atender suas necessidades é estudar em detalhes as características de cada um deles. Talvez seja até o caso de pensar em uma solução intermediária.
Além dos quatro tipos de estoque que já comentamos, existem outros, como o estoque mínimo, o estoque máximo e o dropshipping. No entanto, a gente focou nos tipos mais indicados para o varejo, principalmente para quem está começando.
Independentemente do que for adotado na sua empresa, tenha em mente que a organização é essencial para que o controle funcione adequadamente. Um sistema de gestão ERP que inclua controle de estoque, como o Hiper, pode fazer toda a diferença. O melhor é que existem alguns que você pode experimentar gratuitamente.
Um software de gestão ajudará a saber como está o estoque em tempo real, além de oferecer relatórios com insights interessantes para o desenvolvimento do negócio. Pense que sem uma visão detalhada do que acontece no estoque da empresa, as mudanças podem não surtir o efeito desejado.
Para a maioria dos pequenos varejos, a combinação vencedora é estoque de segurança para os itens de maior giro (os 20% de produtos que geram 80% das vendas, pela curva ABC) + estoque sazonal planejado para datas como Natal, Dia das Mães e volta às aulas. Quem fabrica o que vende, como padarias, se beneficia do estoque de ciclo; quem vende online sem capital pode testar dropshipping. O essencial é registrar todas as entradas e saídas em um sistema de gestão — sem dados de giro por produto, qualquer tipo de estoque vira chute.
Perguntas frequentes sobre tipos de estoque
Quais são os principais tipos de estoque?
Os mais citados são: estoque de ciclo (produção/reposição em ciclos), estoque de segurança (reserva contra imprevistos), estoque de canal ou em trânsito (mercadoria a caminho), estoque sazonal ou de antecipação (preparado para picos de demanda), além de estoque mínimo, máximo, consignado, obsoleto e dropshipping (quando a loja vende sem estocar). No varejo pequeno, os quatro primeiros são os mais usados no dia a dia. A escolha depende do tipo de produto, da previsibilidade da demanda e do espaço físico disponível.
Como calcular o estoque de segurança?
A fórmula simplificada é: ES = (venda média diária) x (tempo de reposição do fornecedor em dias) x (fator de segurança). Exemplo: se você vende 10 unidades/dia, o fornecedor demora 7 dias para entregar e você quer 20% de folga, o estoque de segurança é 10 x 7 x 0,2 = 14 unidades, e o ponto de pedido fica em 10 x 7 + 14 = 84 unidades. Produtos com demanda instável ou fornecedor irregular pedem fator maior. Um sistema de gestão de estoque calcula isso automaticamente com base no histórico de vendas.
Qual a diferença entre estoque mínimo e estoque de segurança?
Na prática varejista os termos se confundem, mas o estoque mínimo é o nível que dispara uma nova compra (ponto de pedido), enquanto o estoque de segurança é a reserva extra que fica “intocada” para cobrir atrasos do fornecedor ou picos inesperados de venda. Ou seja: o mínimo é operacional (quando comprar), o de segurança é proteção (quanto guardar a mais). Configurar os dois no sistema evita tanto a ruptura quanto o capital parado em excesso.
O que é PEPS e UEPS no controle de estoque?
São métodos de movimentação e valoração: PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai, ou FIFO) vende primeiro os itens mais antigos — obrigatório na prática para perecíveis e o mais aceito fiscalmente no Brasil; UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai, ou LIFO) vende primeiro os mais recentes e não é aceito pela legislação fiscal brasileira para apuração de impostos. Há ainda o custo médio ponderado, o método mais usado por pequenas empresas no Simples Nacional. A Receita Federal aceita PEPS e custo médio na avaliação de estoques.
Qual o melhor tipo de estoque para uma loja pequena?
Para a maioria dos pequenos varejos, a combinação vencedora é estoque de segurança para os itens de maior giro (os 20% de produtos que geram 80% das vendas, pela curva ABC) + estoque sazonal planejado para datas como Natal, Dia das Mães e volta às aulas. Quem fabrica o que vende, como padarias, se beneficia do estoque de ciclo; quem vende online sem capital pode testar dropshipping. O essencial é registrar todas as entradas e saídas em um sistema de gestão — sem dados de giro por produto, qualquer tipo de estoque vira chute.


