As análises vertical e horizontal fazem parte da interpretação de um elemento contábil importantíssimo: o balanço patrimonial.
Composto por todos os lançamentos econômicos de um determinado período, ele diz qual é a real condição financeira de uma pessoa jurídica, dando base para a classificação de lucros e prejuízos.
Por isso, é fundamental saber qual é a utilidade das análises para aplicá-las em colaboração à gestão estratégica financeira do negócio. Quer ter essas ferramentas à sua disposição? Continue lendo!
Resumindo: a análise vertical mostra quanto cada conta representa dentro de um mesmo demonstrativo em um único período (participação %), e a análise horizontal compara a mesma conta ao longo de vários períodos, mostrando sua evolução percentual (%).
Para que serve a análise vertical e horizontal?
Sabe-se que tanto a análise vertical quanto a horizontal estão ligadas ao balanço patrimonial. Ao analisar usando esses métodos, se tem a visão real da relação entre o desempenho econômico da organização e a tomada de decisão.
Logo, a partir da contabilidade se percebe qual elemento influencia em qual resultado. Sendo assim, essas análises demonstram seu poder traduzindo as demonstrações financeiras.
O que é análise vertical?
A análise vertical também é conhecida como análise de estrutura. Ela é uma técnica de análise financeira que consiste em comparar as diferentes contas ou elementos de uma demonstração financeira (como o balanço patrimonial ou a demonstração de resultados) em relação a uma base comum, geralmente a receita total ou o ativo total.
A análise vertical é útil para avaliar a estrutura financeira e a saúde financeira da sua empresa, bem como para comparar a performance financeira de diferentes empresas dentro do mesmo setor.
Como analisar verticalmente?
Como seu nome pressupõe, ela se dá de baixo para cima ou de cima para baixo, verticalmente. Dessa forma, os resultados são apresentados em formato de cascata.
Além de analisar o balanço patrimonial, informando qual é a representatividade de cada conta — seja no ativo, seja no passivo —, pode ser aplicada também no demonstrativo de resultados e mostrar a participação de cada uma nos lucros e prejuízos do período.
Usa-se o valor total do ativo como base e então calcula-se o percentual de cada valor de conta, usando a seguinte fórmula:

Análise vertical = grupo de contas ou conta / total do ativo ou passivo x 100
Se percebe a relevância de cada valor diante da comparação com padrões de atuação de períodos anteriores.
Exemplo prático de análise vertical passo a passo (DRE de uma loja)
Para sair da teoria, veja um exemplo numérico aplicado à DRE de uma loja: se a loja faturou R$ 100.000 (receita líquida) e o CMV (Custo da Mercadoria Vendida) foi de R$ 55.000, a análise vertical do CMV é 55% — mais da metade da receita vai para o custo da mercadoria.
| Conta | Valor (R$) | AV (%) |
|---|---|---|
| Receita líquida | 100.000 | 100% |
| CMV (Custo da Mercadoria Vendida) | 55.000 | 55% |
| Lucro bruto (Receita − CMV) | 45.000 | 45% |
O cálculo célula a célula é sempre o mesmo: (valor da conta ÷ receita líquida) × 100. Compare esse percentual com meses anteriores e com médias do setor (o Sebrae publica indicadores por segmento) para saber se a estrutura de custos está saudável.
O que é análise horizontal?
A análise horizontal é uma técnica de análise financeira que envolve a comparação das demonstrações financeiras de uma empresa ao longo de vários períodos contábeis. Essa técnica permite que você identifique tendências e mudanças nas contas e elementos das demonstrações financeiras de uma empresa ao longo do tempo.
Na análise horizontal, as contas e elementos das demonstrações financeiras são comparados em termos de seus valores absolutos ou em termos de variações percentuais de um período para outro. Por exemplo, a análise horizontal pode mostrar como a receita de uma empresa cresceu ou diminuiu em relação ao período anterior ou como as despesas operacionais aumentaram ou diminuíram ao longo do tempo.
A análise horizontal é útil para avaliar a evolução da performance financeira de uma empresa ao longo do tempo e para identificar tendências que possam ser indicativas de problemas ou oportunidades. Além disso, a análise horizontal pode ser usada para comparar o desempenho de uma empresa com o desempenho de outras empresas do mesmo setor.
Como analisar horizontalmente?
Ela é chamada de horizontal justamente por isso: a avaliação é feita seguindo uma “linha do tempo”, comparando os valores atuais com períodos anteriores.
Em outras palavras, coletam-se elementos semelhantes, mas dentro de exercícios diferentes. Assim, vê-se a progressão de cada conta, possibilitando a análise. A fórmula usada nesse caso é:

análise horizontal = [(valor atual do elemento / valor do elemento no período base) – 1] x 100.
A análise horizontal torna possível perceber a evolução do demonstrativo de resultados, cálculo de demonstrativo do fluxo de caixa e balanço patrimonial. O período determinado para estudo vai indicar variações e crescimento, por meio da relação passado/presente.
Exemplo prático de análise horizontal comparando períodos
Aplique a fórmula: [(valor atual ÷ valor do período base) − 1] × 100. Exemplo: se as despesas administrativas foram R$ 8.000 em 2025 e R$ 9.600 em 2026, a variação é de +20%.
| Conta | 2025 (R$) | 2026 (R$) | AH (%) |
|---|---|---|---|
| Despesas administrativas | 8.000 | 9.600 | +20% |
O mesmo cálculo pode ser repetido para quantos períodos você tiver disponíveis (2024, 2025, 2026…), sempre usando o primeiro ano da série como período base. O alerta surge quando uma despesa cresce mais rápido que a receita — se a receita subiu 10% e a despesa 20%, a margem está sendo corroída. Use sempre pelo menos 3 períodos para diferenciar tendência de oscilação pontual.
Quais outras formas de análise são possíveis?
Independentemente do método utilizado para avaliar, o importante é manter o controle sobre as informações financeiras da organização, pois elas possibilitam o crescimento estruturado, dispensando crises por má administração e tomada de decisão equivocada.
Embora as análises vertical e horizontal sejam o foco de nosso conteúdo, há outros indicadores que podem ser calculados e usados estrategicamente na gestão financeira, levando em consideração fatores como o ativo, a liquidez, a rentabilidade e lucratividade e até as próprias obrigações contábeis da empresa. Agrupar e analisar dados, principalmente quando em grande escala, pode ser um desafio. Por isso, é recomendável contar com ferramentas especializadas.
Análise vertical x horizontal: tabela comparativa de quando usar cada uma
| Critério | Análise vertical | Análise horizontal |
|---|---|---|
| O que responde | Qual o peso de cada item agora | Como cada item evoluiu ao longo do tempo |
| Período analisado | Um único período | Vários períodos em sequência |
| Melhor uso | Diagnóstico de estrutura e comparação com concorrentes de portes diferentes | Identificar tendências e sazonalidade ao longo dos anos |
Nenhuma substitui a outra — elas respondem perguntas diferentes. Na prática contábil brasileira, analistas montam uma única tabela com colunas de AV% e AH% lado a lado e cruzam as duas leituras antes de tomar decisões.
Como fazer análise vertical e horizontal no Excel
Para montar sua própria planilha de análise vertical e horizontal, organize as colunas assim: conta, valor do período 1, valor do período 2, coluna de AV (%) e coluna de AH (%).
- Liste todas as contas da DRE ou do balanço na primeira coluna.
- Insira os valores de cada período em colunas separadas.
- Para a análise vertical, use a fórmula = (valor da conta ÷ valor da base) × 100, referenciando a célula da receita líquida ou do total do ativo como base fixa (com $ na referência, para não mover ao copiar a fórmula).
- Para a análise horizontal, use a fórmula = (valor do período atual ÷ valor do período base − 1) × 100, comparando a coluna do período mais recente com a coluna do período base.
- Formate as colunas de AV e AH como percentual para facilitar a leitura.
Um sistema de gestão que já gera a DRE mensal automaticamente evita ter que atualizar essa planilha manualmente a cada novo período.
Perguntas frequentes sobre análise vertical e horizontal
O que é análise vertical e horizontal e qual a diferença?
A análise vertical mostra quanto cada conta representa dentro de um mesmo demonstrativo em um único período — por exemplo, que as despesas com pessoal consomem 22% da receita. A análise horizontal compara a mesma conta ao longo do tempo — por exemplo, que a receita cresceu 15% de 2025 para 2026. Em resumo: vertical responde “qual o peso de cada item agora” e horizontal responde “como cada item evoluiu”. As duas se complementam na leitura do balanço patrimonial e da DRE.
Como calcular a análise vertical na prática?
Use a fórmula: (conta ÷ base) × 100. Na DRE, a base é a receita líquida; no balanço, é o total do ativo ou do passivo. Exemplo: se a loja faturou R$ 100.000 e o CMV foi de R$ 55.000, a análise vertical do CMV é 55% — mais da metade da receita vai para o custo da mercadoria. Compare esse percentual com meses anteriores e com médias do setor (o Sebrae publica indicadores por segmento) para saber se está saudável.
Como calcular a análise horizontal?
Aplique: [(valor atual ÷ valor do período base) − 1] × 100. Exemplo: se as despesas administrativas foram R$ 8.000 em 2025 e R$ 9.600 em 2026, a variação é de +20%. O alerta surge quando uma despesa cresce mais rápido que a receita — se a receita subiu 10% e a despesa 20%, a margem está sendo corroída. Use sempre pelo menos 3 períodos para diferenciar tendência de oscilação pontual.
Análise vertical e horizontal serve para pequenas empresas?
Sim, e é justamente onde ela gera mais impacto rápido. Um pequeno varejista pode aplicá-la na DRE mensal gerada pelo sistema de gestão ou pelo contador, sem conhecimento contábil avançado. Ela revela, por exemplo, se o frete passou de 3% para 6% da receita ou se o faturamento de uma categoria caiu 30% no trimestre. Com essa leitura, decisões de corte de custo, renegociação com fornecedor e precificação deixam de ser feitas “no olho”.
Qual é melhor: análise vertical ou horizontal?
Nenhuma substitui a outra — elas respondem perguntas diferentes. A vertical é melhor para diagnóstico de estrutura (onde o dinheiro está concentrado hoje) e para comparar sua empresa com concorrentes de portes diferentes, já que trabalha com percentuais. A horizontal é melhor para identificar tendências e sazonalidade ao longo dos anos. Na prática contábil brasileira, analistas montam uma única tabela com colunas de AV% e AH% lado a lado e cruzam as duas leituras antes de tomar decisões.


