O que é crediário próprio? É a modalidade em que a própria loja financia o cliente e recebe em parcelas via carnê, boleto ou Pix, sem banco no meio. A vantagem é a margem maior e a fidelização do cliente; o risco fica por conta da loja, que assume a inadimplência.
Ao contrário do que se costuma imaginar, pequenas lojas também podem oferecer crediário próprio aos seus clientes, especialmente pela proximidade que conseguem obter no relacionamento.
Essa é uma excelente oportunidade para estabelecer um relacionamento mais próximo com os clientes, além de oferecer uma forma de pagamento alternativa. E quando aliado a um bom processo de pós-venda, pode trazer excelentes resultados ao negócio.
O que é crediário?
Crediário é um sistema em que a empresa oferece ao cliente uma linha de crédito própria, com condições de parcelamento, juros e prazos de pagamento definidos pelo próprio estabelecimento. O cliente faz o pagamento das parcelas diretamente à empresa, geralmente por meio de boletos bancários ou carnês.
O crediário próprio pode ser uma opção interessante para quem não tem acesso a outras formas de crédito, como empréstimos bancários, ou para quem precisa comprar um produto de valor mais elevado e não tem condições de pagar à vista.
Já pensou em aderir ao crediário próprio em sua loja? Confira as 10 dicas que separamos para você:
Vantagens e desvantagens do crediário próprio
| Vantagens | Desvantagens |
|---|---|
| Não paga taxas de adquirência/cartão | Assume 100% do risco de inadimplência |
| Fideliza o cliente, que retorna à loja todo mês | Exige capital de giro para sustentar o financiamento |
| Atende clientes negativados ou sem limite no cartão | Demanda disciplina e estrutura de cobrança |
| Margem maior, sem repasse de taxa a terceiros | Juros limitados por lei quando cobrados diretamente |
Loja pode cobrar juros no crediário? O que diz a lei
Pode, mas com limite: empresas comerciais que não são instituições financeiras estão sujeitas à Lei da Usura (Decreto 22.626/1933), que restringe os juros a 12% ao ano (1% ao mês) quando o financiamento é feito pela própria loja. Acima disso, é preciso operar por meio de uma financeira parceira ou fintech autorizada pelo Banco Central.
O CDC (art. 52) obriga a informar por escrito o valor total financiado, a taxa de juros, o número de parcelas e a soma final. Muitas lojas preferem embutir a margem no preço e anunciar “parcelamento sem juros” no carnê.
1. Faça análise de crédito
Com um pequeno investimento, você pode fazer parte de um serviço de análise de crédito como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Serasa Experian. Em outras palavras, você terá acesso aos dados dos clientes, sabendo quais são considerados maus pagadores e também os que possuem boa reputação no mercado.
Isso lhe dará mais segurança na hora de vender no crediário, além de contribuir para o controle da inadimplência no país.
Como fazer análise de crédito do cliente: passo a passo
- Consulte o CPF do cliente no SPC Brasil e na Serasa Experian antes de aprovar o crediário
- Confira o score de crédito e o histórico de pagamentos
- Exija documento com foto e comprovante de residência
- Peça comprovante de renda, quando possível
- Limite o crédito inicial a algo entre 10% e 20% da renda declarada
- Aumente o limite gradualmente para clientes que pagam em dia
2. Tenha um bom sistema para cadastro de clientes
Invista na tecnologia para guardar o cadastro dos seus clientes e também para arquivar o histórico de compras e pagamentos. Com essas informações, você poderá controlar com mais assertividade a evolução do crédito.
Por exemplo, um cliente que não atrasa suas faturas e compra com frequência pode ter seu limite ampliado. Com isso, pode haver um aumento nas vendas e, consequentemente, do ticket médio.
Uma realidade do mercado atual é que a tecnologia é uma forte aliada nos processos organizacionais, contribuindo tanto com a implementação do crediário quanto com a fidelização dos clientes.
3. Previna-se contra a inadimplência
Um dos principais problemas para os mais diversos tipos de empreendimentos é a inadimplência, pois este é um fator que pode levar a empresa à falência. Já vimos que antes de liberar o crediário é importante fazer a análise de crédito, mas o após a venda também merece atenção.
As ferramentas tecnológicas são extremamente importantes também neste cenário. Em muitos casos, a inadimplência ocorre por esquecimento do prazo da dívida. Para solucionar este problema, é possível utilizar essas ferramentas para enviar um lembrete aos seus clientes — por e-mail, SMS etc. — alguns dias antes do vencimento da fatura e evitar o atraso.
Também é interessante automatizar uma mensagem de agradecimento quando o sistema acusar o pagamento. Para isso, no entanto, é importante fazer integração do financeiro com a conta bancária. O sistema de gestão escolhido também deverá ajudar nessa tarefa.
4. Conceda facilidades de pagamento que não comprometam seu negócio
Estude aspectos como o número de parcelas para que a sua rentabilidade não seja comprometida. Estabeleça valores para conceder o crédito. Balanceie o custo-benefício com o bem-estar do cliente. Por exemplo:
- Cliente que compra até R$ 300 tem direito a pagamento em 3 parcelas
- Clientes que compram acima de R$ 300 podem pagar em 6 parcelas
Tenha em mente que, às vezes, o cliente preza mais por prazos estendidos de pagamentos do que por descontos. O ideal, nesse aspecto, é encontrar um equilíbrio, adotando alternativas que sejam vantajosas para ambas as partes. O sistema de crediário deverá ajudar a visualizar essas variações para que sua tomada de decisão seja precisa e traga apenas benefícios para a loja.
Simulador: como fica o parcelamento de uma compra de R$ 600
Veja, de forma ilustrativa, como o valor da parcela muda conforme o número de vezes, a entrada e a cobrança (ou não) do juro no teto legal de 1% ao mês:
| Parcelas | Sem juros (margem embutida) | Com entrada de 20% (R$ 120) | Com juros de 1% a.m. (teto legal) |
|---|---|---|---|
| 3x | R$ 200,00/mês | R$ 120,00 + 3x de R$ 160,00 | R$ 206,00/mês |
| 6x | R$ 100,00/mês | R$ 120,00 + 6x de R$ 80,00 | R$ 106,00/mês |
| 10x | R$ 60,00/mês | R$ 120,00 + 10x de R$ 48,00 | R$ 66,00/mês |
Valores meramente ilustrativos, calculados por juros simples sobre o teto legal de 1% ao mês. Quanto mais parcelas, menor o valor mensal, mas maior o prazo de exposição da loja ao risco de inadimplência — por isso o cruzamento com a análise de crédito é essencial.
5. Tenha um bom plano de cobrança
Esteja ciente de que haverá casos de atrasos ou não pagamentos. Esse risco precisa ser considerado na hora de pensar em como colocar o crediário na loja, ou seja, nas condições de pagamento que serão oferecidas no crediário da loja. É a partir dele que se pensa em uma pequena taxa de juros para prazos estendidos ou em benefícios para bons pagadores.
Administrar este risco requer também uma boa estratégia de cobrança, que evite perdas ao negócio ao mesmo tempo em que mantenha o cliente fiel. A comunicação com o cliente torna-se uma peça fundamental.
Você pode, nesse aspecto, começar com o envio de um e-mail relembrando o não pagamento, depois partir para uma ligação e, em seguida, enviar um cobrador no endereço do cliente. Em último caso, é interessante ter parceria com uma empresa de recuperação de crédito.
6. Use o crediário para estimular a retenção do cliente
O crediário pode se tornar uma ótima ferramenta para estimular mais vendas e melhorar o relacionamento com seus clientes. Uma forma de fazer isso é concedendo descontos àqueles que pagarem o boleto na sua própria loja. Assim, eles visitarão o estabelecimento e isso aumenta as chances de comprarem mais. Use o crediário como um meio de atrair e reter os bons clientes. Faça com que os clientes que pagam pelo crediário da loja se sintam únicos.
Vale destacar ainda que o sistema de crediário próprio, quando implementado adequadamente, reduz o tempo de espera do cliente, tornando a experiência de compra mais satisfatória.
7. Aposte em promoções
Não há quem não goste de uma promoção, não é mesmo? Por isso, é importante apostar em algumas ações diferenciadas, capazes de tornar o sistema de crediário mais atrativo.
Vale desde fornecer preços especiais nas compras que são feitas no cartão da empresa até mesmo disponibilizar um sistema de cashback com a opção de troca de pontos. Isto é: ao realizar uma certa quantidade de compras, o cliente conquista um número determinado de pontos e ganhará um item pré-definido.
Não existe uma regra aqui. O importante é ser criativo, mostrando o quão benéfico é efetivar a compra pelo crediário, despertando assim o interesse dos clientes. E mais uma vez, fique atento à lucratividade da ação.
8. Adote cartões exclusivos
Saia do óbvio e vá além dos carnês e boletos. Adote, por exemplo, o cartão private label. O cartão fará com que o consumidor se lembre da sua loja em diferentes momentos do dia e, por isso, é importante também cuidar da questão visual do item.
Pode apostar: o público ficará mais propício a adquiri-lo quando perceber que ele possui um design criativo e irreverente, sendo um item exclusivo. Dessa forma, não pense duas vezes para criar um visual atraente para o cartão, que dialogue diretamente com o seu público-alvo.
Lembre-se de que a comunicação visual da marca está diretamente relacionada à questão da identificação do público, sendo, portanto, um aspecto que merece atenção redobrada. O ideal, nesse ponto, é apostar na customização, levando em consideração o perfil da sua clientela.
9. Anuncie o serviço
De nada adianta ter todo o processo do crediário próprio bem definido e não divulgar o serviço. Afinal, como já diz o ditado: “Quem não é visto, não é lembrado.” Em outras palavras, é preciso anunciar o serviço e mostrar o seu diferencial para que os clientes se sintam à vontade em utilizá-lo.
Deixe claro nas propagandas que com o crediário próprio o consumidor terá diversas vantagens, como redução de anuidade, ofertas especiais, prazos estendidos, entre outros. Evidencie que é muito mais prático, fácil e financeiramente vantajoso fechar um negócio usando o crediário da empresa. Crie a vontade da pessoa fazer parte de um grupo especial.
10. Gerencie os riscos
A sabedoria popular diz que qualidade é mais importante do que quantidade, certo? Esse pensamento faz pleno sentido quando o assunto é crediário próprio.
A dica aqui é: em vez de oferecer essa alternativa para todos os clientes, selecione apenas aqueles que são confiáveis. Além do mais, entenda o quanto a sua empresa é capaz de suportar alguns riscos sem prejudicar o funcionamento do negócio.
Para ter o controle do crediário, realizar a cobrança com eficiência e evitar a inadimplência, é recomendado usar um sistema para gestão da loja.
Crediário próprio x crediário digital (BNPL): qual escolher?
Depende do perfil do público e do caixa da loja. O cartão (e as fintechs de “compre agora, pague depois”, incluindo o Pix parcelado) transferem o risco de calote para a operadora e antecipam o recebimento, mas cobram taxas que somam de 3% a 5% por venda parcelada e não criam vínculo com o cliente.
O crediário próprio elimina essas taxas, atende os cerca de 4 em cada 10 brasileiros negativados ou sem limite no cartão (dados Serasa) e traz o cliente de volta à loja todo mês — mas exige capital de giro e disciplina de cobrança. O ideal é oferecer os dois, deixando o cliente escolher.
Como escolher um sistema para crediário?
Seja para o cadastro dos clientes ou para a disponibilização do crediário em si, um bom sistema integrado para a gestão faz toda a diferença. Ele deve registrar as principais informações da loja, de datas de pagamentos a movimentação de estoque, de forma que seja possível ter uma visão completa e tomar as decisões estratégicas.
O sistema também precisa estar integrado ao setor financeiro para emitir carnês e atualizar o gestor sobre as previsões de entradas de dinheiro. Um sistema de gestão completo, que já tenha sido pensado para lojas, faz toda a diferença. O Hiper, por exemplo, pode ser personalizado para lojas de diferentes setores e traz as funcionalidades que elas mais usam.
Como fazer um carnê de pagamento para sua loja?
Quer saber o passo a passo sobre como colocar um crediário na loja e como fazer carnê de pagamento? A gente te ajuda:
- Comece fazendo o cadastro da loja em uma plataforma de soluções de pagamento.
- Cadastre todos os clientes. Se você já tem um sistema de gestão, fica muito mais fácil!
- É hora de lançar os boletos que vão completar o carnê. Isso vai depender da estratégia que você escolher para o seu crediário.
- Insira corretamente todas as informações referentes à compra. Mais uma vez, um sistema de gestão torna essa etapa muito mais ágil e segura.
- Feche o processo de lançamento da compra e parcelamento no sistema. O carnê estará prontinho para ser entregue!
Crediário próprio no Sistema Hiper
A gente insiste na adoção do sistema de gestão pois ele automatiza várias etapas e evita que ocorram erros de digitação. Conheça o Hiper e descubra na prática os benefícios de uma boa gestão do seu negócio – inclusive para a criação de um crediário.
No Hiper, são apenas dois passos para fazer um carnê de pagamento.
Passo 1: No menu Financeiro > Contas a receber realize a pesquisa do crediário que deseja realizar a impressão.
Você pode buscar pelos dados do cliente ou número do pedido para encontrar as informações.
Passo 2: É possível imprimir apenas uma parcela ou mais parcelas por vez. Para isso, selecione todas as que desejar e em seguida clique no botão Ações e em Imprimir. Incrível, não?
Perguntas frequentes sobre crediário próprio
O que é crediário próprio e como funciona?
É a modalidade em que a própria loja concede o crédito: o cliente leva o produto e paga em parcelas diretamente ao estabelecimento, via carnê, boleto ou Pix, sem banco ou financeira intermediando. A loja define limite, número de parcelas, juros e política de cobrança, e assume o risco da inadimplência em troca de não pagar taxas de adquirência e de fidelizar o cliente, que volta todo mês para pagar a parcela. Funciona especialmente bem em lojas de bairro de moda, calçados, móveis e material de construção.
Loja pode cobrar juros no crediário próprio?
Pode, mas com limite: empresas comerciais que não são instituições financeiras estão sujeitas à Lei da Usura (Decreto 22.626/1933), que restringe os juros a 12% ao ano (1% ao mês) quando o financiamento é feito pela própria loja. Acima disso, é preciso operar por meio de uma financeira parceira ou fintech autorizada pelo Banco Central. O CDC (art. 52) obriga a informar por escrito o valor total financiado, a taxa de juros, o número de parcelas e a soma final. Muitas lojas preferem embutir a margem no preço e anunciar “parcelamento sem juros” no carnê.
Como evitar a inadimplência no crediário da loja?
Comece filtrando na entrada: consulte SPC Brasil e Serasa Experian antes de aprovar, exija documento com foto e comprovante de residência, e limite o crédito inicial a algo entre 10% e 20% da renda declarada. Depois, automatize a régua de cobrança no sistema de gestão: lembrete por WhatsApp/SMS 3 dias antes do vencimento, contato no 1º dia de atraso, negociação a partir do 15º e negativação no SPC/Serasa após 30 dias, conforme previsto em contrato. Clientes pontuais devem ganhar aumento gradual de limite.
Como fazer um carnê de pagamento para os clientes?
Com um sistema de gestão, o processo leva minutos: cadastre o cliente com CPF e endereço, lance a venda, defina o número de parcelas e as datas de vencimento, e o sistema gera o carnê com todas as parcelas para impressão ou envio digital. No Hiper, basta acessar Financeiro > Contas a receber, localizar o crediário pelo cliente ou número do pedido e imprimir as parcelas. Carnê manual de papelaria ainda existe, mas aumenta o risco de erro e impede o controle automático de quem pagou e quem atrasou.
Vale mais a pena crediário próprio ou parcelamento no cartão?
Depende do perfil do público e do caixa da loja. O cartão transfere o risco de calote para a operadora e antecipa o recebimento, mas cobra taxas que somam de 3% a 5% por venda parcelada e não cria vínculo com o cliente. O crediário próprio elimina essas taxas, atende os cerca de 4 em cada 10 brasileiros negativados ou sem limite no cartão (dados Serasa) e traz o cliente de volta à loja todo mês — mas exige capital de giro e disciplina de cobrança. O ideal é oferecer os dois.

